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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Paulo Talarico

Publicado em 21.12.2022 | 22:55 | Alterado em 21.12.2022| 23:08

RESUMO

A Agência Mural entra em recesso e volta no começo do próximo ano. Enquanto isso, você pode relembrar como foi 2022 nas periferias e os destaques da nossa cobertura

Tempo de leitura: 5 min(s)
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Em 2022, você colou com a gente e acompanhou um ano intenso e difícil com eleição, pandemia, fome e as histórias sobre quem transforma nossos bairros e cobra por mais direitos.Terminamos com a esperança de um 2023 mais forte e com menos desigualdade e contando com você ao nosso lado para cobrarmos que as mudanças aconteçam.

Nas próximas duas semanas, estaremos recarregando as forças para começar com tudo a próxima temporada, a partir de 5 de janeiro.Até lá, você pode conferir o que de melhor publicamos e um retrato desses dias nas periferias deste ano histórico.

Janeiro

São Paulo completou 468 anos e mostramos como coletivos de bairros periféricos têm mostrado que a história da cidade vai muito além do seu centro antigo. Ela começa nas quebradas. No mesmo mês, a capital manteve a tarifa do ônibus em R$ 4,40, mas diversos municípios da região metropolitana já cobram bem mais de R$ 5. Não está fácil.

Fevereiro

Foi o mês dos 200 anos da Semana de Arte Moderna. Mas qual oespaço das quebradas nesse movimento?

Em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, moradores questionaram o local escolhido para colocar a estátua em homenagem a escritora Carolina Maria de Jesus. Após as manifestações, a prefeitura aceitou instalar o monumento em uma área com mais visibilidade no bairro.

Também revelamos que o orçamento secreto teve influência em cidades da Grande São Paulo. A medida, que deixava no comando de deputados e senadores o repasse de dinheiro público sem transparência, foi considerada inconstitucional neste fim de ano.

Março

Março foi o mês dos ‘vencidinhos’. Reportagem daAgência Muralrevelou como produtos perto do vencimento se tornaram a única saída para famílias de baixa renda por conta da alta dos preços. Mercados de bairro se especializaram em vender mercadorias nessa situação com descontos.

A reportagem ‘Luto Prematuro’ mostra como pais e mães de anjo vivem a falta de empatia após a perda gestacional.

E seguimos caindo no entre o trem e a plataforma. A CPTM tem em média uma queda por dia no vão, indica novo levantamento da Agência Mural. No entanto, o número de ocorrências caiu para menos da metade, desde a primeira reportagem sobre o tema há cinco anos.

Diário de uma marreteira | Magno Borges/Agência Mural

Abril

Campanhas mobilizaram os jovens que ainda não haviam tirado título de eleitor para que participassem das eleições de 2022. Ouvimos adolescentes quedecidiram não votarpara entender os motivos da descrença com a política.

Em quadrinhos, mostramos a vida de Andressa, uma vendedora de balas que trabalha nos ônibus de São Paulo no Diário de uma Marreteira. Ainda em abril, tivemos a primeira Expo Favela, reunindo empreendedores periféricos.

Maio

O ‘pós-pandemia’ pareceu mais real em 2022, apesar dos cuidados ainda necessários. Vários eventos voltaram a rolar presencialmente e um deles foi a Virada Cultural em maio, que teve shows em várias periferias da cidade.

Jovens cada vez mais têm buscado formas de fazer a grana render e alguns têm apostado na Bolsa de Valores. Em Investidores das Quebradas contamos algumas dessas histórias e os cuidados necessários para não ficar no prejuízo.

Léu Britto/Agência Mural

Junho

No mês das festas juninas (que também voltaram com tudo), trouxemos uma reportagem especial sobre os 10 anos da Lei de Cotas e o impacto dessa legislação para estudantes das periferias de São Paulo. Também abordamos o que ainda não avançou, como a contratação de mais professores negros nas universidades.

Sobre a ampliação da desigualdade, aAgência Muralrevelou que bairros das periferias tiveram um aumento de até seis vezes no número de moradores de rua.

Junho também é o mês do orgulho LGBTQIAPN+ e nesta série em Web Stories contamos o significado de cada letra a partir das histórias de moradores das bordas da cidade.

Julho

Parada histórica. Chegamos ao último episódio do podcast, Próxima Parada. Durante um ano, diariamente, apresentamos histórias sobre as periferias, num total de 260 programas.

Foi em julho que publicamos uma das reportagens mais lidas do ano: a história de “Vai Querê”, um vendedor de mandioca de Embu das Artes que conquistou uma cidade.

Agosto

Em agosto fomos do funk consciente ao proibidão na voz delas, as minas que fazem a cena em São Paulo. Em reportagem especial, apresentamos o corre das mulheres do funk paulista.

Quem são as mulheres que fazem a cena do funk paulista? | Reprodução

A Perifacon, evento de cultura nerd nas quebradas, realizou o segundo evento presencial e o primeiro depois da pandemia, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Para quem foi, o evento mostrou que veio para ficar.

Setembro

Essa foi aquela fase do ano em que vivemos e envelhecemos uns dez anos em dois meses até a eleição, não foi? Mas, além da campanha, trouxemos muitos temas essenciais.

Começamos uma série de reportagens sobre saúde emocional nas periferias. Abordamos desde a importância da terapia e de falarmos sobre esses problemas sem tabu, de como o rolê é autocuidado, assim como os impactos da falta de uma boa noite de sono para quem dorme pouco para manter a renda.

Em setembro, falamos da fome e de como famílias têm batido na porta dos mercados em busca de doação de alimentos.

Voamos pela Amazônia e mostramos a relação entre as queimadas por lá e os impactos na vida de quem está nas quebradas de São Paulo. A justiça climática estará cada vez mais nas nossas reportagens.

Enquanto tudo isso acontecia, começava a Taça das Favelas, que acompanhamos até a decisão.

Além disso, lançamos o Pega a Visão, que trazia resumidamente dicas para todo mundo votar melhor e o Papo Reto no Zap, um projeto da Agência Mural ao lado de Lupa e WhatsApp, foi fundamental para combater as fake news nas periferias.

Outubro

Votamos. Depois de um ano intenso e estressante, a votação mais esperada da década veio com a vitória do ex-presidente Lula (PT) para o terceiro mandato. A votação nas periferias de São Paulo e na Grande São Paulo foi decisiva. O petista teve 2 milhões de votos a mais na região do que o PT obteve há quatro anos. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu quase 700 mil apoiadores por aqui.

Para o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi eleito, apesar de não ter ido bem nas periferias da capital. Para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, a votação também trouxe novos nomes das quebradas para o próximo mandato.Já parou pra pensar quantos santinhos jogaram na sua casa?

Novembro

No nosso mês deaniversário, produzimos a série de vídeos “Crias” com as histórias de cinco moradores das quebradas que têm se destacado em diferentes áreas. É o caso de Miltão, um artesão das Pipas.

O Brasil voltou a ter protagonismo na conferência sobre o clima, a COP, e as periferias estavam lá. Ativistas das quebradas enfatizaram que essas regiões precisam fazer parte das discussões, pois são as mais afetadas, como os moradores que vivem em ocupações, em áreas vulneráveis, e aguardam há uma década a casa própria.

Cooperifa completou 21 anos e voltou a ter a mostra presencial (Léu Britto/Agência Mural)

Dezembro

Depois de tudo isso, uma Copa do Mundo. Que delícia. Em cima da hora, as ruas das periferias entraram no clima com muitas ruas decoradas. Foi só a gente entrar no clima que o Brasil foi lá e fez aquilo. Obrigado Fred, valeu Tite.

Camiseta do Brasil feita pelo Comunicação de Quebrada @Ewerthon/Reprodução

Chegamos ao fim do ano com a notícia de que pesquisadores das quebradas são afetados por cortes nas bolsas da Capes. Sinal de que o próximo ano chegará com muita coisa para ser consertada.

Para encerrar,sem dinheiro, famílias cancelam festas e mudam pratos em meio a alta do preço dos alimentos. Que no próximo ciclo possamos ter mais garantias de um fim de ano melhor para todos e todas.

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Paulo Talarico

Editor-chefe e cofundador da Agência Mural, é formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e em História pela Universidade de São Paulo.

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