Nathalia Ract/Agência Mural
Por: Jacqueline Maria da Silva
Notícia
Publicado em 20.07.2026 | 18:20 | Alterado em 20.07.2026 | 19:24
A empresa Urbia – que desde 2022 é responsável pela gestão dos parques estaduais Cantareira e Horto Florestal (Alberto Löfgren), na zona norte de São Paulo – quer negociar com o governo de São Paulo para manter a administração das unidades, após ensaiar devolver a concessão.
As negociações com o executivo paulista, iniciadas em junho de 2026, previam a saída da empresa da administração dos parques, segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos. No entanto, fontes ligadas a administração dos parques afirmam que a empresa quer manter a concessão, revendo pontos do contrato, em especial o financeiro.
Isso porque o planejamento orçamentário na época da concessão foi baseado em uma quantidade de visitantes (divulgada no edital) que na prática se confirmou abaixo do esperado. Com menos frequentadores, não seria viável manter o contrato por 30 anos, como previa a licitação.
A Urbia iniciou conversas com o governo estadual na tentativa de reaver a parceria. Uma das alternativas era refazer a licitação com novas concessionárias. sA administração dos parques, contudo, afirma que há interesse em manter a concessão, desde que revendo o contrato, para assegurar retorno dos investimentos em melhorias.
Frequentadores e moradores reclamam de mudanças no parque e de aumento no valor das atrações desde a concessão, ocorrida ainda na gestão do ex-governador João Dória (PSDB).
Em 2026, o estacionamento no parque da Cantareira custa R$10 (moto) e R$19 (carro); o aluguel de bicicleta, R$ 25; o pedalinho R$30, por meia hora de passeio; a visita guiada no Horto, R$ 70 e a oficina de fotografia, R$ 150. Para fazer a tradicional trilha da Pedra Grande é necessário desembolsar R$60. A média de preços das atrações antes da concessão era de R$19.
Os parques da Cantareira e Horto Florestal estão entre os principais espaços verdes da Região Metropolitana de São Paulo. Eles abrigam um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em área urbana do país e reúnem trilhas, mirantes e áreas de conservação, além de locais para lazer e prática de esportes.
Os frequentadores dos parques temem que, com a possibilidade de uma repactuação, haja também novos reajustes de preços nas atrações, dificultando ainda mais o acesso das famílias de menor renda.
A administração dos parques informou que ainda não há detalhes ou atualizações sobre as tratativas com o governo, mas que os parques seguem funcionando normalmente. A empresa pretende negociar para manter o contrato sob novos moldes e quer promover ações que atraiam mais público, prevendo, por exemplo, descontos em ingressos.
A Urbia também é responsável pela administração do Parque Ibirapuera, desde 2022, e de outros cinco parques urbanos da capital paulista.
Questionada sobre as mudanças, a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo), responsável pela parceria da Urbia, disse em nota que estuda alternativas e que não exclui possibilidades, seja a repactuação ou uma nova licitação. Ainda não há definição sobre o modelo a ser adotado.
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