Nathália Ract da Silva/ Agência Mural
Por: Redação
Notícia
Publicado em 10.06.2026 | 17:51 | Alterado em 10.06.2026 | 17:51
Na zona norte de São Paulo, especialmente nos bairros do Jaçanã e Tucuruvi, trancistas têm se consolidado como referências na valorização da estética e da cultura afro. Atuando nas periferias, essas profissionais transformam o trançar em uma prática que combina geração de renda, cuidado e afirmação identitária.
Mais do que tendência estética, as tranças seguem como símbolo de resistência e conexão com a ancestralidade negra. Nos salões e ateliês da região, o trabalho também fortalece a autoestima de clientes e impulsiona o empreendedorismo local, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
A Agência Mural separou uma lista de profissionais inovadoras na região. Confira:
As trancistas gêmeas Karol e Karine trabalham na área há pelo menos 6 anos, movidas pela valorização da beleza negra. A história com as tranças começou na infância, aos 10 anos, aprendendo com a mãe. Em 2019, durante o processo de transição capilar, começaram a trançar o próprio cabelo e enxergaram a oportunidade de empreender, iniciando os atendimentos em 2020.
Depois de transformaram o cuidado familiar em profissão, inauguraram em 2025 o espaço físico de atendimento na zona norte, o Two Girls, consolidando uma trajetória marcada pela identidade e pelo fortalecimento da autoestima de seus clientes.
Situado próximo ao metrô Tucuruvi, o espaço realiza tranças femininas e masculinas, como nagô, gypsy braids e box braids.
Camila Leandro é trancista profissional com mais de 10 anos de experiência e comanda um estúdio no Tucuruvi. Sua jornada começou de forma autodidata aos 14 anos, transformando um passatempo em propósito de vida. Além dos atendimentos personalizados, que valorizam a ancestralidade e a beleza única de cada pessoa, Camila atua na formação de novas profissionais oferecendo cursos presenciais e fortalecendo o empreendedorismo feminino e negro.
Fundado por Maria Marta, o salão Império Black nasceu há 24 anos, da carência de profissionais que atendessem o público negro periférico da zona norte. O que começou com atendimentos de porta em porta e “tiarinhas nagô” cresceu através do boca a boca e de constante especialização. Hoje, o espaço é um centro de estética afro completo, onde o estilo se encontra com o cuidado. O foco do ateliê é garantir que cada detalhe proporcione bem-estar interno e externo aos clientes.
Maria Marta, 40, é trancista e cabeleireira veterana, referência em diversas técnicas de cuidados para cabelos crespos e cacheados.
O Senhora Braids, liderado por Jenni, é um espaço de cuidado e conexão localizado estrategicamente em frente à estação Tucuruvi. O projeto começou na adolescência, produzindo dreads de lã coloridos na Cohab onde morava. Após ganhar projeção nas redes sociais, o hobby tornou-se profissão dedicada à valorização da cultura negra. O ateliê trabalha com uma vasta gama de técnicas, desde tranças soltas e nagô até entrelace, ponto americano e colocação de laces, sempre pautado na expressão da ancestralidade.
O trabalho de Jenni é marcado por cores vibrantes e técnicas modernas, buscando sempre elevar a autoestima de quem passa por suas mãos. Integra a nova geração de trancistas que conectam tradição e tendências contemporâneas.
A trajetória de Andressa Marques com tranças começou durante a pandemia, após um sonho em que recebia orientações para trançar o cabelo da filha. O que nasceu de um sonho e da prática doméstica ganhou as redes sociais e rapidamente se transformou em profissão. Hoje, além de atender em seu espaço, Andressa atua como educadora na Fábrica de Cultura do Jaçanã, compartilhando saberes técnicos e ancestrais. Seu trabalho é um ecossistema de cuidado que une o trançado a serviços de estética, focando na valorização da identidade e no fortalecimento da autoestima de forma integral.
Andressa Marques é trancista, educadora e esteticista, com formação em diversos cursos da área da beleza. Transita entre as artes capilares e os cuidados com a pele, promovendo um atendimento que celebra a cultura e o bem-estar.
Amanda Cordeiro da Silva, conhecida como Madá, é trancista independente, empreendedora, rapper e MC.
Sua trajetória com as tranças começou há seis anos, quando aprendeu as primeiras técnicas com sua irmã. O interesse virou prática entre primas e amigas e, logo, o talento se transformou em profissão. Em 2020, com a chegada da pandemia e por questões de cuidado e saúde, Mada se desligou do mercado de trabalho tradicional (CLT) e começou a empreender no mundo dos cabelos afro.
Há três anos, ela comanda o seu próprio estúdio na região do Jaçanã e vem ganhando visibilidade nas redes sociais enquanto transforma a autoestima de mulheres pretas através das tranças.
A Agência Mural de Jornalismo das Periferias, uma organização sem fins lucrativos, tem como missão reduzir as lacunas de informação sobre as periferias da Grande São Paulo. Portanto queremos que nossas reportagens alcancem outras e novas audiências.
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