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Fundação de Barueri exige kit escolar de R$ 2.500 e causa protesto na cidade

Pais e mães de alunos afirmam não ter condições financeiras de arcar com os materiais e despesas extras que chegam a R$ 2.500

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Por: Tatiane Araújo

Notícia

Publicado em 25.02.2022 | 16:03 | Alterado em 02.03.2022 | 22:28

Tempo de leitura: 3 min(s)

Para atender às mudanças do novo ensino médio, que propõe alterações na grade curricular e oferta de cursos técnicos e profissionalizantes nas escolas, a Fieb (Fundação Instituto de Educação Barueri) adotou um novo material didático que causou insatisfação nos pais e responsáveis por alunos da instituição.

As famílias afirmam que não têm condições de arcar com as despesas extras exigidas para este ano letivo, pois muitos pais e mães estão sem emprego ou perderam renda durante a pandemia de Covid-19.

Uma reunião com a Comissão de Pais da Fieb e o superintendente da Fundação, Luiz Antonio Ribeiro, estava marcada na Câmara de Vereadores de Barueri no último dia 14, mas foi cancelada pelo vereador e presidente da assembleia, Toninho Furlan (PDT). Houve um protesto no local.

Milayne Lemes da Rocha, 16, é estudante do ensino médio regular da Fieb Aldeia da Serra, uma das nove unidades do município. Ela conta que os pais estão sem condições financeiras para adquirir o novo material solicitado pela escola.

“Se necessária a aquisição, provavelmente eles arquem com os custos parcelando, prezando pelo meu aprendizado. Mas, infelizmente, acabariam criando uma dívida”

Milayne Lemes da Rocha, 16, estudante

A aluna lembra que os familiares compraram, em 2020, um box com materiais que seriam utilizados durante os três anos do ensino médio e que, na época, custou cerca de R$ 2.000. Porém, o material quase não foi aproveitado durante o período de pandemia.

Manifestantes se reuniram no último dia 14 de fevereiro
@Nicolli Rozo/Reprodução

Mudança no kit escolar

A Fundação Instituto de Educação Barueri é uma autarquia, ou seja, uma instituição de ensino que funciona em prédios públicos, mas com autonomia própria. Por isso, os responsáveis pelos alunos precisam arcar com os custos durante o ano letivo.

Para 2022, a Fieb exige um kit com livros físicos e uma plataforma online chamada Plurall. Segundo os membros da comissão, as despesas podem chegar a R$ 2.500, sem incluir valores de alimentação, transporte e uniformes. Se optarem por adquirir somente o acesso à plataforma, o custo seria de R$ 1.000 por estudante, em média.

Lúcia*, 35, é mãe de um aluno do 1° ano do ensino médio na unidade Aldeia da Serra. Ela ainda não adquiriu o material solicitado. “Não consegui identificar os benefícios da plataforma, pois os estudantes precisam dos livros físicos e a plataforma só seria usada em casa”, afirma.

Além disso, diz que a plataforma exigida pelo colégio só habilita combos de livros físicos e, para funcionar, precisa inserir o código dele.

“Se os alunos vão usar o livro físico, que sentido tem pagar por uma plataforma digital?”

Lúcia*, 35, mãe de aluno

Outra queixa é de que a Fieb está designando um único local para a compra do material. Pais ouvidos pela Agência Mural contam que a escola orientou que eles só poderiam adquirir o material ofertado pela empresa Somos Educação na própria instituição de ensino, impossibilitando-os de obtê-lo em outro local, como ocorreu nos anos anteriores.

Por causa disso, mesmo com o cancelamento da reunião, cerca de 100 pessoas foram até a Câmara Municipal de Barueri na data e horário marcado para participar do protesto. Na ocasião, foram recebidos pelas vereadoras Cláudia Aparecida (PDT), Tânia Gianeli (DEM) e pelo vereador Leandrinho Dantas (PRTB).

Também pediram aos vereadores um esforço pela causa e solicitaram que interferissem diante do prefeito Rubens Furlan (PSDB).

Os manifestantes pretendiam tentar uma negociação sobre o valor do kit escolar com o superintendente da Fundação. Além disso, queriam questionar as informações sobre a empresa que está comercializando os materiais e solicitar o treinamento dos professores e do apoio pedagógico para ministrar as aulas na nova plataforma.

Em comunicado no site, a Fieb diz que a transição do material didático foi anunciada na última reunião de pais de 2021, realizada no dia 18 de dezembro, e afirma que a aquisição é imprescindível para acompanhar todas as reformas do currículo escolar – que foi atualizado para todos os níveis de ensino.

Como as aulas na instituição se iniciaram em 14 de fevereiro, algumas famílias acabaram adquirindo o material com medo dos filhos perderem a vaga ou serem prejudicados pela falta do mesmo.

Foi o caso da Cleonice*, 50, mãe de um aluno do 6° ano do ensino fundamental na Fieb Maria Theodora, em Alphaville, bairro de Barueri. Ela pagou R$ 2.137 pelo kit com os livros e o acesso à plataforma.

Segundo a mãe, a escola dificultou o acesso ao material. “Não tem como obter o material usado, pois o físico está amarrado ao digital, ou seja, você só consegue comprar todo o material junto”, diz.

A Comissão de Pais da Fieb aguarda uma redução no custo do material didático e solicita o reembolso para aqueles que já adquiriram o material. O instituto de educação não retornou nosso contato até a data de publicação.

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas, que têm receio de represálias.

Tatiane Araújo

Jornalista apaixonada por contar e ouvir histórias, ama a rua, gatos, música e produções audiovisuais. Correspondente de Barueri desde 2021.

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