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Grupo de teatro LGBTQIA+ da zona leste aponta tentativa de censura em festival no Pernambuco

Membros do Coletivo Acuenda, do Jardim Romano, relatam ter sido excluídos de Festival de Inverno de Garanhuns; gestão nega e diz que pediu apenas documentos

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Por: Cleberson Santos

Notícia

Publicado em 13.07.2022 | 18:17 | Alterado em 14.07.2022 | 11:15

Tempo de leitura: 3 min(s)

No último sábado (9), o Coletivo Acuenda reclamou ter sido vítima de censura por parte da organização do FIG (Festival de Inverno de Garanhuns), tradicional evento cultural em Garanhuns, no interior de Pernambuco.

O Acuenda é um grupo teatral formado por artistas drag do Jardim Romano, na zona leste de São Paulo. Em nota de repúdio publicada nas redes sociais, o coletivo relata um “processo de censura envolvendo o Governo de Pernambuco e o FIG” e que receberam o aviso por uma ligação de telefone dias antes do evento informando que não deveriam fazer parte da programação.

“Os artistas questionam o fato da obra ter sido classificada em segundo lugar na Categoria de Teatro ao Ar Livre e, após documentação em vias de contratação e a logística montada, ser cancelada”, afirma o texto.

“Nosso Corpo é Político” estreou no final de maio no SESC Itaquera, também na zona leste. O espetáculo tem como objetivo propor uma aproximação da memória de artistas LGBTQIA+ do passado e do presente, e “inspirar desejos por dias melhores para os corpos periféricos”.

Na apresentação, as drags do Acuenda perfomarão ao som de músicas de cantores como Cazuza, Ney Matogrosso, Liniker e Pabllo Vittar.

Com a repercussão do caso em veículos de comunicação pernambucanos, a Secretaria de Cultura publicou uma nota negando que houve o cancelamento da participação do Acuenda no festival.

“O Coletivo Acuenda nunca foi excluído da grade artística da 30ª edição, que segue disponível para consulta pública no portal www.cultura.pe.gov.br. As tratativas se resumiram a solicitação de documentos para confirmação do processo de contratação do referido grupo”, afirma a secretaria.

Segundo o produtor cultural Bruno Fuziwara, em entrevista à Agência Mural, o coletivo não foi informado de quais documentos estariam pendentes por parte deles.

“Hoje [segunda-feira (11)] ligaram para a gente, mas não falaram nada. Só falaram que estavam retomando a contratação e que estavam pedindo dados para a compra de passagens, perguntando como seria o espetáculo, do que a gente ia precisar”, relata Bruno.

O tom da conversa foi bem diferente do que eles ouviram na sexta-feira (8), quando foram informados da saída da programação. “A gente recebeu uma ligação dos funcionários de lá do festival dizendo que a gente tinha ficado em vigésimo lugar, que na verdade não era nem para ter entrado na programação”.

“Eles falaram que no momento não tinha muito o que fazer. A gente teria que esperar caso algum grupo caísse ou tivesse algum cancelamento para poder entrar novamente”

O espetáculo do Coletivo Acuenda, “Nosso Corpo é Político”, voltou à programação do FIG, porém não no mesmo horário previsto anteriormente. Até semana passada, a apresentação do grupo estava marcada para às 19h do dia 21 de julho, no Teatro Alternativo do SESC. Agora está marcado para às 22h.

Histórico de preconceito

Programado para ser realizado entre os dias 15 e 31 de julho, o Festival de Inverno de Garanhuns terá a 30ª edição com mais de 800 atrações artísticas confirmadas.

Esta não foi a primeira vez que o FIG é acusado de censurar um espetáculo LGBT. Em 2018, a atriz trans Renata Carvalho teve o espetáculo “Jesus, Rainha do Céu” removido da programação após pressão de grupos religiosos.

A peça foi reintegrada à programação graças a intervenção do Ministério Público pernambucano. Porém, a segunda sessão foi novamente proibida, desta vez por conta de uma decisão judicial.

Segundo reportagem publicada pelo Jornal no Comércio na ocasião, sete viaturas da Polícia foram ao local para impedir a nova apresentação.

Bruno está preocupado com a possibilidade de ver algo semelhante acontecendo na participação do Acuenda.

“Tem muito comentário no Facebook nos chamando de aberração, [falando] tomara que não venha, fique por aí mesmo. E a gente está com medo disso acontecer quando a gente for se apresentar no festival, ter manifestação. A gente fica muito apreensivo de como que a gente se cuida nesse lugar”.

A Agência Mural questionou a Secretaria de Cultura de Pernambuco a respeito da mudança de horário e sobre a segurança dos artistas. Na resposta, a assessoria de imprensa replicou a nota que já havia sido divulgada, limitando-se apenas a confirmar a participação do Acuenda no evento.

O coletivo foi fundado em 2014 no Jardim Romano e recentemente comemorou os oito anos de existência com uma festa junina no bairro. Segundo Bruno, esta é a primeira vez que o grupo se apresenta em outro estado.

Cleberson Santos

Jornalista, não sabe chutar uma bola direito, mas se aventura no jornalismo esportivo há alguns anos, e também já escreveu sobre tecnologia e impacto social. Ama playlists aleatórias e tenta ser nerd, apesar das visitas ao Netflix estarem cada vez mais raras. Correspondente do Capão Redondo desde 2019.

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