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Educação nas Periferias

De olho no mercado, alunos avaliam cursos técnicos de escola na Barra do Ceará

Com 120 vagas anuais, Escola Estadual de Educação Profissional Paulo Petrola oferece aulas em tempo integral e estágios na periferia de Fortaleza

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Por: Redação

Notícia

Publicado em 06.05.2022 | 14:05 | Alterado em 27.05.2022 | 15:08

Tempo de leitura: 4 min(s)
Esta reportagem foi produzida com o apoio do Instituto Unibanco IU-mural

A estudante Maria Caroline Moreira, 16, viu uma oportunidade para iniciar o sonho de uma carreira na área da Saúde no curso técnico de enfermagem da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Paulo Petrola, localizada na Barra do Ceará, bairro periférico de Fortaleza.

Com educação em tempo integral, das 7h às 17h, a escola oferece, desde 2008, anualmente 120 novas vagas para formação complementar em três cursos: técnico em enfermagem, técnico em guia de turismo ou técnico em informática/técnico em redes de computadores.

“As aulas são de muita qualidade e a escola tem uma boa estrutura de laboratórios, gestão e profissionais. Tenho muitos planos relacionados ao Enem, trabalhar na minha área e cursar uma faculdade”, conta a aluna.

Maria Caroline elenca os prós e contras da escola. “A seleção para entrar na escola, o certificado de conclusão, e a experiência de estágio são fatores positivos. De negativo, acho que a alimentação deveria ser melhorada, mas já tivemos avanços esses dias”, avalia.

O modelo de educação profissional integrada ao ensino médio é uma iniciativa do Governo do Estado do Ceará e gerido pela Seduc (Secretaria da Educação) do estado.

“Por intermédio dessas escolas os discentes passam a ter uma perspectiva real de mudança de vida, bem como ser um fator determinante de crescimento pessoal e profissional, o que implica mudanças concretas em suas vidas”, afirma Maria Auxiliadora Silva, 56, articuladora de gestão que acompanha as escolas profissionais da Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza, área 3, na Seduc.

Pátio da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Paulo Petrola @Renan Moreira/Clube Mural

A cada início de ano, são ofertadas 40 vagas para cada um dos três cursos no primeiro ano do ensino médio. Para cada curso, são reservadas duas vagas para Pessoas com Deficiência (PCD), 30 vagas para a rede pública (21 para ampla concorrência e nove para residentes próximos à escola) e oito vagas para a rede privada.

Para Cristália Andrade, 16, o curso de guia de turismo é ideal para se comunicar com novas pessoas e construir um futuro. “Foi a minha primeira opção de curso. Aqui conheço pessoas, lugares e novas histórias. Além de deixar a zona de conforto de lado e aprendemos a ter foco. Quero cursar pedagogia ou matemática e construir minha independência através dessas escolhas”, comenta.

Já para o estudante Nathan Silva, 18, gostar de línguas estrangeiras e interagir com o público foram decisivos na escolha do curso de guia de turismo. “Sempre gostei muito de falar inglês e interagir com o novo. No início achei tudo muito complicado e puxado. Hoje, já estou acostumado com a rotina. Pretendo me formar e seguir trabalhando nessa área, que tanto me encontrei”, acrescenta.

Muitos dos ex-alunos seguiram nas áreas que escolheram na escola. É o caso de Mateus Gomes, 20, que após o curso técnico em enfermagem, ingressou no curso de medicina da Universidade Estadual do Ceará.

Foi uma experiência muito enriquecedora, mas ao mesmo tempo muito desafiadora. Sempre quis ser médico, e na escola esse curso era o único na área de saúde disponível e o mais viável pra mim”, diz Mateus Gomes

Para ele, a escola demanda esforços importantes para o desenvolvimento pessoal e profissional de quem passa por lá. “Creio que esse tipo de escola contribui para a formação de adultos mais responsáveis, já que temos experiências no mercado, o que exige compromisso e responsabilidade. Em contrapartida, a carga horária é exaustiva, o que causa impacto na hora de estudar para o vestibular, visto que já passamos o dia ocupados em atividades escolares”, avalia Gomes.

O mesmo ocorreu com o desenvolvedor William Matheus Meneses, 23. Interessado em desenhar em programas de edição, escolheu o curso de rede de computadores pela proximidade de áreas.

“Nas matérias introdutórias percebi que ser designer de site não era mais o que eu queria. A área do desenvolvimento, mesmo que não abordada tanto no curso de redes, era o que eu queria. Me dediquei estudando por fora, com o apoio dos professores do curso, que deram aulas extras de programação e nos direcionaram para um estágio voltado à programação”, afirmou.

Na época do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), William conseguiu nota suficiente para ganhar uma bolsa 100%, em uma faculdade particular e cursar sistemas de informação.

“O estágio durante a escola foi o maior aprendizado. Nessa época desenvolvi um produto final e fui suporte para alguns sistemas desenvolvidos. Hoje, sigo atuando com programação em um projeto internacional, com ocupação na França, e aplicando conceitos que aprendi na escola. Nunca imaginaria chegar aonde estou”, complementou o desenvolvedor.

Nessa modalidade de escola, o estágio curricular é obrigatório durante o terceiro ano do ensino médio, para todas as formações. Os estudantes recebem uma bolsa entre R$ 300 a 400, além do encaminhamento e a orientação dos professores para o estágio no mercado de trabalho.

Prática em laboratório de informática da escola @Redes Sociais da Escola

Além de adquirir uma profissão ou garantir dinheiro, para o coordenador dos cursos de tecnologia da escola Paulo Petrola, Clemilton Lima, 33, os cursos proporcionam impacto em suas vidas.

“Para além dos cursos de tecnologia, temos muitos estudantes que ao terminarem o curso, trabalham e sustentam a casa dos pais. O sucesso dos meus discentes não precisa ser necessariamente na área que leciono. Mesmo em outra carreira, sei que eles causam impacto social onde moram e mudam vidas, o que me deixa feliz”, desabafou.

“Não preparamos alunos para o mercado, mas sim à vida. Temos disciplinas diferenciadas que oferecem a oportunidade do jovem projetar melhor o que ele quer para vida pessoal e profissional. A riqueza do nosso trabalho é fornecer oportunidades acadêmicas para pessoas que realmente precisam disso. O jovem quer mudar a realidade de sua família”, esclareceu Josemary Silveira, 44, coordenadora da EEEP Paulo Petrola.

Para a coordenadora, o trabalho do educador é ajudar os estudantes a realizarem os seus sonhos. “Temos estudantes que atravessam por dificuldades financeiras, com a família, ou até mesmo em se deslocar para a escola, mas que estão perseverando. Recebemos muitos relatos de ex-estudantes que estão conquistando seus sonhos. Aprovados em concursos, universidades, empregos e estágios. É um sentimento de dever cumprido e de bastante alegria”, finalizou a gestora.

Por Renan Moreira, de Barra do Ceará, Fortaleza

Essa reportagem foi produzida por um dos estudantes universitários do Ceará participantes do “Acontece nas Escolas”, programa de bolsas de jornalismo da Agência Mural em parceria com o Instituto Unibanco. A iniciativa faz parte do Clube Mural, nossa área de treinamento e laboratório de prática e experimentos em jornalismo local e das periferias.

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