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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Redação

Notícia

Publicado em 24.11.2022 | 8:11 | Alterado em 29.11.2022 | 18:01

Tempo de leitura: 3 min(s)

Enquanto festejamos a estreia do Brasil na Copa do Mundo, moradores de um bairro da zona norte de São Paulo comemoram também o lançamento de uma música sobre a quebrada. IGÃO-X lança nesta quinta-feira (24) o som “Eliza Maria”, baseada na região do distrito da Brasilândia.

Para ouvir, basta acessar o vídeo no YouTube. Ele estará disponível em todas as plataformas digitais a partir do dia 1º de dezembro, quinta que vem.

Apesar de ser lançada agora, a música foi escrita em 2021, durante a pandemia de Covid-19. “O pessoal mandou muitos vídeos para mim dos caras fazendo toque de recolher no Jardim Vista Alegre durante a pandemia, perguntando se era lá que eu morava, dizendo que era perigoso”, relembra o cantor.

“Fiquei com esse bagulho na mente, como o povo conhece e reconhece a quebrada. Aí foi quando eu tive a ideia de escrever Eliza Maria em si. Quando comecei, saiu de uma vez a música.”

Igão cresceu no Elisa Maria, na zona norte de São Paulo @Jefferson-Romao

Nascido e crescido no Jardim Elisa Maria, Igor Santos, 27, escreve há 10 anos. Foi durante a pandemia, quando consumiu muita arte, que ele foi incentivado a se expressar e divulgar suas composições. “Achava minha voz zuada, mas as pessoas diziam que as letras eram boas e a voz não ia ser critério para o público gostar ou não.”

Em fevereiro de 2022, o rapper publicou o primeiro single, “Malcolm X Brasileiro”, produzido por Kalisch. Foi este som que deu origem ao nome artístico. “Escrevi esse som depois de ‘Eliza Maria’, mas precisava ter um vulgo que fizesse sentido pro mundo da música e que não fosse só Igão. Foi assim que Malcolm X Brasileiro pariu o IGÃO-X”, explica.

Ele também atribui o começo na música a avó, Maria Helena, 76, que é citada em Malcolm-X Brasileiro. Helena foi líder comunitária no Jardim Elisa Maria e contribuiu com ações para área da cultura.

Graças a minha avó,

desempregando os Datenas,

guerreira até umas hora,

te amo Dona Helena

Trecho de Malcolm-X Brasileiro

“Ela foi a primeira a organizar cultura na quebrada. Primeiro levando as crianças para desfilar nas escolas de samba e depois organizando as quermesses, que eu inclusive menciono em ‘Eliza Maria’. Foi nas quermesses que ela organizava que eu tive o primeiro contato com os bailes”, conta.

Igão-X tem outros trampos em andamento, previstas para o começo de 2023. “Se tiverem o desempenho que eu espero, penso em lançar um álbum”, projeta. Dentre as referências, ele destaca Mano Brown enquanto rapper, enquanto figura. “Musicalmente o Facção Central e o Trilha Sonora do Gueto. E da nova geração o Djonga.”, complementa.

Artista escreveu ‘Eliza Maria’ na pandemia @Jefferson Romão/Divulgação

“Eliza Maria, zona norte do mapa, Brasilândia, periferia”

O “Eliza Maria”, ou simplesmente “Eliza” como costumam grafar os moradores, é um bairro com forte ligação com a música, com ritmos urbanos e marginalizados como o rap, o funk e sobretudo o samba. A escolha pelo trapfunk por parte de Igão, inclusive, se deu também por essas influências do próprio bairro.

O bairro abriga um grande conjunto habitacional entregue nos anos 1980, o Promorar, morada de uma vida em comunidade na região. Por falar nisso, nada mais comunitário que os bailes, o time de várzea União e o bloco de carnaval Sem Saída, referências que o rapper IGÃO-X traz na música “Eliza Maria”.

Por se tratar de um bairro afastado do centro, sem aparelhos de lazer e cultura, a música ocupa um importante refúgio para os problemas cotidianos. Para IGÃO-X, isso se expressa nos versos do MC João em “Baile de Favela”, que eterniza a ligação histórica da música com o cotidiano no Eliza.

IGÃO-X relembra como os principais gêneros musicais que embalaram o Brasil e o mundo a partir dos anos 80 também ganharam espaço no Jardim Elisa Maria. “Exemplo disso são as quermesses, interrompidas pela guerra nos anos 1990 e que voltaram com destaque nos anos 2000. Nessas quermesses, diferente das tradições juninas, as músicas que embalavam as pessoas eram as que as pessoas ouviam no dia a dia desde o sertanejo, o forró, a black music, o axé baiano”, conta.

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